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22/12/2020 - 15:25 | Atualizada em 06/01/2021 - 16:17

Itens da ceia disparam e deixam Natal de 2020 mais caro

Dentre os principais o pernil suíno subiu 31% e o arroz 62%

Portal UOL

Itens da ceia disparam e deixam Natal de 2020 mais caro

Foto: Felipe de Souza/UOL

   


O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-IBRE) realizou um levantamento que aponta de 16 itens consumidos na ceia de Natal tiveram aumento, em média, de 15%. Dentre os principais, o pernil de porco subiu 31%, e o arroz 62%. 

O índice de Preço ao Consumidor (IPC) foi calculado no período entre dezembro de 2019 e novembro deste ano. Para o economista responsável pelo estudo, a desvalorização do real foi um dos motivos para a alta.

Foram avaliados os chamados "itens de mesa", comuns nos pratos de brasileiros, como arroz, batata inglesa, cebola, ovos, carne suína, azeite, sucos de fruta e refrigerantes, e outros mais consumidos nessa época, como bacalhau, azeitonas em conserva, bolos prontos e vinhos. 

O arroz, cujo o preço disparou durante o ano chegou a custar mais de R$ 30 o saco com 5 kg, aparece como líder no ranking do aumento: 62,08%.

A desvalorização do real também é apontada como fator para o aumento nos preços das carnes de porco. O pernil suíno subiu 30,55% no período de 12 meses, enquanto o lombo suíno teve aumento de 20,14%.

A mesma situação foi detectada no preço do frango inteiro (que inclui peru): alta de 14,51%. Por consequência, os ovos também aumentaram: 14,21%. O bacalhau aumentou 10%, pressionado pelo dólar. 

Os complementos também subiram: 
Batata inglesa: 10,67% 
Frutas: 14,99% 
Bolo pronto: 3,53% 
Azeite: 9,72% 
Azeitona em conserva: 13,29% 
Refrigerantes e água mineral: 3,73% 
Sucos de fruta: 3,37% 
Vinho: 3,94% 

Apenas dois itens tiveram redução de preço durante esse período: os refrescos de fruta em pó, que caíram pouco (0,12%), e a cebola, com queda de 15,7%.


Para o empresário campineiro Ademir dos Reis, que tem uma família de 12 pessoas que passa o Natal junto, as festas este ano não serão marcadas pela fartura de comida. "E nem tem condição, não é? Quem recebe cesta de fim de ano leva o que tem para fazer, e as demais coisas nós vamos comprando aos poucos. Não vai mais ter tanto arroz, vamos partir para uma salada, coisas assim", disse. 

Essa troca de ingredientes também vai ser vista na mesa da ceia da dona Natalina de Paula, que mora em Assis (SP). Uvas, pêssegos e ameixas vão aparecer bem pouco —e mais por insistência da aposentada de 74 anos, que tem uma superstição com as uvas. "Mas o preço que tá, é impossível. Vai ser só um pouquinho para garantir a minha promessa", afirmou.

"Foi um ano bem difícil. Cheguei a ficar sem comer arroz alguns meses por causa do preço. Mas é Natal, né? Tenho que levar um pouco que seja", declarou a dona de casa Maria das Lourdes Garcia, de Sumaré (SP). 

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